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. Noite Fria .

Fiquei pensando em nós dois, a noite foi longa, triste e inquieta, meu coração pulsava forte, a dúvida da decisão tomada se arrastava pelas horas. O vento voraz trazia a tempestade, tentava entrar em meu quarto, querendo escutar meus pensamentos. Os raios constantes banhavam o teto com um manto de luzes traçando única dança.
Seus olhos acinzentados, junto às lágrimas de tardes anteriores, me mostravam que cada beijo próximo valeria a pena, nenhum abraço seria demais enquanto estivéssemos lado a lado. Mas não estávamos. A chuva que cortava o céu fingia ser lâmina afiada, pronta para cortar meu peito. Minha cabeça latejava, dor, muita dor.
Algo estava errado, eu tinha certeza, só não queria acreditar. O telefone tocou, num súbto salto parei em frente a ele, hesitei. Desejava que fosse você, alguém com quem eu queria conversar a noite toda, mas temi que notícias ruins inundassem meus ouvidos, assim como a chuva fazia com a rua mal feita do outro lado da janela de vidro.
Ao atender fiquei muda, havia muito barulho na outra linha, prestei mais atenção do que de costume, ouvi, inspiração, expiração, suave. Meu coração gelou – Alô? – Não houve resposta. Silêncio. Não podia ser você, seria apenas uma brincadeira boba? Esperava que não fosse. Pelo menos não na situação na qual estava.
Mais uma vez, inspiração, expiração, a última vez, veio seguida de um barulho alto, como uma pancada, o aparelho telefônico caiu, a ligação terminou. ainda estática quase acreditei, só podia ser piada. Ainda assim, algo estava errado. Retomei meus pensamentos sem a concentração de antes.
Deveria te ligar? Não poderia ser você naquela ligação. Me sentei na cama, os quadros que você pintou, me observavam, comecei a ficar aflita. Te procurar, foi o que resolvi fazer, sair para te procurar. Levantei, andei em direção ao guarda-roupas, escolhi o vestido mais bonito, discreto, preto, um chapéu adequado e os sapatos mais caros, cabelos soltos, longos, até a altura da cintura, cor de mel perfeitamente ondulado.
Deixei o carro, fui a pé, sempre gostei de caminhar a noite. Mas dessa vez era por outro motivo, você. Eu necessitava te encontrar, eu precisava, estava ficando desesperada, tão desesperada que não percebi que nunca iria te encontrar, porque você sempre esteve aqui, ao meu lado.

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