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. Vida Vidro .

A manhã não chega ao fim. Os segundos se arrastam. Vejo as nuvens mudarem de forma cada vez mais devagar, quase imperceptíveis.  Não há vento, não há sombra, apenas meia dúzia de árvores secas, com galhos tortuosos. Vejo um urubu ao longe, fazendo sua ronda matinal até pousar no telhado de uma casa abandonada a procura da próxima refeição.
     Ao seguir seu olhar, percebo o que não deveria ver pessoas doentes apoiando-se umas nas outras, procurando um lugar para se protegerem do sol. Não há nenhum vestígio de que existira água ali, nem em qualquer outro lugar num raio de 1000 km.
     Existe um hospital, única estrutura totalmente intocada, extremamente branca, de tal forma que chega a refletir a luz solar, quase cegando quem o olha diretamente. Porém, ninguém o vê.
     O que posso fazer? Meus gritos de ajuda são tampados pelos gritos de dor, minha bandeira vermelha não tremula quase morta.
     Minha casa: limpa, aconchegante, sem um único rastro de poeira, com água em abundância e remédios, comida fresca, cama macia e roupas novas; se torna tão inútil e deprimente.
     Preciso sair daqui, mas não há portas, não há janelas, apenas vejo ninguém me vê.

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Transformo em poesia tudo aquilo que sinto em minh’alma. Hoje desejo compartilhar a empolgação que me fez sorrir nesta manhã de quarta-feira. Após uma curta noite de sono e uma “incomodante” viagem Anápolis-Goiânia vejo que não estou sozinha em sentir o que querer da vontade de saber, e o melhor, compartilhar esse desejo com alguém. Um novo (porém mais experiente) caminhante da estrada das palavras junta-se a minha vida (ou me junto a ele?) inesperadamente. E assim, inesperadamente é que espero as surpresas que venhamos a conhecer.

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Volto a sentir a vida da maneira que me foi determinada. Mais uma vez sou vítima da intensidade. Ou talvez eu seja a única causa dela? O vazio toma conta do meu ser, E mais uma vez estou sozinha. Todo esse mix de sentimentos, Vazio, solidão, tristeza, saudade, Me é tão comum Que ainda não entendo o por quê De me surpreender. Tenho amor, Apenas falta de amor próprio. Pelo mundo daria minha vida, O desgosto é chegar a esse ponto e Descobrir que ninguém vale essa vida. Porque é minha, De mais ninguém. Se minha é, Amar-me-ei. Pois no fim Sempre digo a mim, Ninguém nunca te amará Como eu te amei.

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