Pular para o conteúdo principal

. Varanda .

Sentada na varanda, quantas vezes na vida já vi o pôr do sol sem pensar no amanhecer? Observo tudo o que há de mais belo, o azul do oceano se misturando com o laranja quase vermelho do sol. A melhor parte de mim está aqui, nesse lugar. Dante o chamaria de Paraíso, mas esse parece um nome tão utópico, prefiro não dar nomes.

Subo nas pedras, sento em frente ao mar, sinto a brisa despentear meus cabelos, aqui sou só. Sem ninguém. Apenas eu. No mundo que criei. Meu mundo, onde os peixes voam e aves mergulham, tudo é como cavalo marinho, honesto e leal.

Aqui não existem problemas, as estrelas iluminam a areia, que por sua vez refletem a luz estrelar, a festa começa. Coqueiros e palmeiras brincam de esconde-esconde e siris dançam ciranda. Tudo é bom, todos são legais. Só há diversão.

Então, existe o que imagino, o que quero. É o meu lugar. Deito na cama, os bem-te-vis me cobrem, o canário amarelo assobia canções de ninar e as formigas preparam o próximo café.

Meu mundo, só meu. Sou egoísta e serei até não poder mais, me expulsaram de reinos alheios, mas esse é meu. Quem quiser entrar que peça por favor e com licença. Todos podem participar, mas agora esse é meu lugar.

Vamos compartilhar o luar, nosso melhor amigo, da varanda que vimos o sol se transformar em lua, ela sorri, contente por banhar seus amigos. Ficaremos brancos como a neve.

Agora não vou mais embora, quero ficar. Esse é o meu mundo. Meu mundo. Lugar onde sou feliz e nada mais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

. M.L .

Transformo em poesia tudo aquilo que sinto em minh’alma. Hoje desejo compartilhar a empolgação que me fez sorrir nesta manhã de quarta-feira. Após uma curta noite de sono e uma “incomodante” viagem Anápolis-Goiânia vejo que não estou sozinha em sentir o que querer da vontade de saber, e o melhor, compartilhar esse desejo com alguém. Um novo (porém mais experiente) caminhante da estrada das palavras junta-se a minha vida (ou me junto a ele?) inesperadamente. E assim, inesperadamente é que espero as surpresas que venhamos a conhecer.

. Real .

Volto a sentir a vida da maneira que me foi determinada. Mais uma vez sou vítima da intensidade. Ou talvez eu seja a única causa dela? O vazio toma conta do meu ser, E mais uma vez estou sozinha. Todo esse mix de sentimentos, Vazio, solidão, tristeza, saudade, Me é tão comum Que ainda não entendo o por quê De me surpreender. Tenho amor, Apenas falta de amor próprio. Pelo mundo daria minha vida, O desgosto é chegar a esse ponto e Descobrir que ninguém vale essa vida. Porque é minha, De mais ninguém. Se minha é, Amar-me-ei. Pois no fim Sempre digo a mim, Ninguém nunca te amará Como eu te amei.

. Assassinado .

Não vejo graça na vida de hoje. Nada posso fazer, sem expectativa de vida, estou cansado de tanta luta. O mundo é assim, injusto, em cada lado há uniformes, um superior a outro. Não devo ficar na praça pouco depois de escurecer, nada de encontros com amigos ou festas familiares, eu, você, aqui, somos ninguém. Não, não, não, é tudo o que obtemos de resposta, junto as sirenes da polícia e ambulâncias correndo pela cidade. Em casa menos de quatro pessoas por residência. Quem é de “bem” tem a sorte de viver sua vida, não em paz, mas, não ameaçados. Já aqueles considerados “maus” vivem sob a pressão dos cassetetes, dia após dia, ao final de cada batalha voltam para casa, quando voltam, quase mortos, física ou moralmente, quando não, realmente morrem, em todos os aspectos. Ontem, logo depois do trabalho, quase seis da tarde, passei em frente a igreja. Na porta uma multidão, na verdade, hoje em dia, cinco ou sete pessoas são consideradas multidão, um complô contra o governo. Não era esse...