Pular para o conteúdo principal

P.01

Não me importam tuas palavras, sei como sou, assim sou. Nada me prenderá aqui. Tenho medo desse lugar, é frio, escuro e sujo onde ratos e baratas passeiam por meus pés. O vento traz a notícia, há lobos por perto. Deve haver comida em algum lugar.
As folhas, nas copas das árvores, conversam entre si, tentando me intimidar. Caminho até a beira de um pântano, meu corpo pede descanso, estou muito machucado. Há cortes em meu rosto, o sangue escorre junto ao suor, faço caretas de dor. Minhas panturrilhas estão esfoladas e  meus braços queimados, envoltos numa camada de barro, fezes e capim, ardem suplicando por água limpa. Sento-me, próximo ao pântano, sem movimentos bruscos. Ali mesmo cochilo.
Passaram-se 20 ou 30 minutos, não sei ao certo, não tenho relógio, mas o sol já se pôs. Acordei assustado, a fome me corrói, sinto meu estômago se desintegrar. Estou há tanto tempo aqui, comendo folhas e insetos, não tenho mais de onde tirar energia, estou mais magro que um fino graveto de pitangueira.
Éramos um grupo de 6, agora já nem sei mais.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

. Vida Vidro .

A manhã não chega ao fim. Os segundos se arrastam. Vejo as nuvens mudarem de forma cada vez mais devagar, quase imperceptíveis.  Não há vento, não há sombra, apenas meia dúzia de árvores secas, com galhos tortuosos. Vejo um urubu ao longe, fazendo sua ronda matinal até pousar no telhado de uma casa abandonada a procura da próxima refeição.      Ao seguir seu olhar, percebo o que não deveria ver pessoas doentes apoiando-se umas nas outras, procurando um lugar para se protegerem do sol. Não há nenhum vestígio de que existira água ali, nem em qualquer outro lugar num raio de 1000 km.      Existe um hospital, única estrutura totalmente intocada, extremamente branca, de tal forma que chega a refletir a luz solar, quase cegando quem o olha diretamente. Porém, ninguém o vê.      O que posso fazer? Meus gritos de ajuda são tampados pelos gritos de dor, minha bandeira vermelha não tremula quase morta.    ...

. Refletindo .

Quando me lembro do teu sorriso vejo um rosto de menino, breve, pleno, calmo e agradável. Se olho dentro de teus olhos enxergo a tua alma, refletida como cristal a luz do sol. Esse mesmo menino, quando me abraça traz a segurança de Alcatraz, em seu colo sou capaz de dormir sem o medo de não acordar. Esse mesmo menino a quem agarrada estou é o homem que me levanta, que me leva ao céu, que me faz sentir mulher. É o mesmo que me causa frios e calafrios, que me deixa com vergonha ao me chamar de linda, que prova em poucas palavras e pequenos gestos que é possível apaixonar-se.

08 / 07 / 2009 . 09:15 p.m.

Tudo o que preciso, seu amor. Vem cá, fica aqui. Me abraça forte, permaneça intacto. Esse amor, esse tal de amor, é especial. Me beija, traz sua alegria, seus sonhos e planos. Me mantenha informada. Sua vida me interessa. Sou feliz com você assim. Perto de mim. Quero amor sensível, como olhos ao sol, brilhos de estrela em noite de luar. Abraço apertado, afago e brincadeira. Sonho real, vida de mentira, ser criança, deitar em seus ombros e pedir abrigo. Ser sua, de mais ninguém. Fica comigo, assim, bem perto de mim.